Paula Oliveira
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28th January 2024
"Taxidermia, ou Poeticamente Hipócrita"
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
Posso falar de morte enquanto vivo?
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Posso falar, posso ganir
Posso lutar, posso fingir
Posso tirar, posso inundar
Posso mudar, posso mudar
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
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Gravado: estúdios Timbuktu
Engenheiro de Som: Mário Pereira
Atlântico Blue Estúdios
Técnico de Som: Marco Silva
Mistura e Masterização: Mário Pereira
Captação Vídeo Making Off:
Captação Vídeo (Video-Clip): Aurélio Vasques e João Leão
Realização Vídeo (Video-Clip): Aurélio Vasques
Produção Vídeo: Zulfilmes